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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Diário Existencial: A vida em multipotencial

Encontrar seu lugar no mundo nunca foi ou será uma tarefa fácil. Dizem por aí que é só uma questão de ter foco, paciência, e comprometimento, que tudo dá certo. Como se essa receita de bolo fosse o suficiente para obter o tão esperado sucesso pessoal e profissional. Mais difícil ainda, é escolher sua verdadeira vocação, o cargo no qual você se dedicará pelo resto da vida, ou grande parte dela. Se você, assim como eu, é uma daquelas pessoas que não encontram uma só vocação para investir, mas ao contrário, tem a capacidade de ter aptidões para várias, tenho uma notícia: somos Multipotencialistas.

Outro dia estava assistindo uma palestra da escritora Emilie Wapnick que fala justamente de pessoas como eu, que tem vários interesses e objetivos criativos, como ela mesma aborda, juntamente com o termo Multipotencialistas. Então refleti sobre isso e tentei levantar os prós e contras de ser assim, e o que isso poderia impactar nas nossas vidas se soubéssemos controlar nossas habilidades e emoções na hora de decidirmos que tipo de profissionais e pessoas queremos ser.

Um ponto negativo é um periódico bloqueio de crescimento profissional. Explicando melhor, vamos observar a seguinte situação: um indivíduo é bom em determinada coisa, não somente gera um rendimento satisfatório, mas também gera expectativas em torno dele, seja na parte família, ciclo de amigos ou colegas de profissão. Querendo ou não, a pressão atrapalha, e muito. É como andar num ciclo fechado, onde você se vê obrigado a escolher um rumo para sua vida, mas as pessoas esperam tanto de ti e o medo de decepcionar, te ajudam a estagnar e não saber o que fazer.


Foto: Google Imagens


Fica ainda pior, quando você vê seus amigos ou familiares entrando em suas vidas profissionais e se realizando em fazer aquilo que sabem ser o rumo certo. Contudo, não há nada errado em ser multipotencialistas, pelo contrário, existem habilidades muito positivas. Uma delas é nossa capacidade de rápido aprendizagem, pelo esforço de adquirir conhecimento naquilo que gostamos, mesmo que as opções sejam variadas.

Muitas vezes, algumas profissões pedem que você exerça mais de uma função no seu cargo, a prova disso é o crescimento dos Social Medias, que por vezes são jornalistas, publicitários e designers em um só pacote. Ainda que muitos digam que é injusto, porque deveriam dar oportunidades a outras pessoas com habilidades específicas para cada função, isso é apenas um reflexo do que nossa geração está passando no momento. Cada vez mais estamos nos conectando com diversas coisas ao mesmo tempo, às vezes, no modo automático mesmo, e nem percebemos.

A questão é, o mundo precisa sim de mais Multipotencialistas. Faça o que desejar fazer, mesmo que no final, perceba que nada deu certo e aquilo não era o que realmente queria. Não há problema algum em se arriscar, melhor ainda se existirem pessoas ao seu lado que te apoiam e procuram entender que você não é apenas uma máquina programa para uma só tarefa. Cada um tem dentro de si uma coisa que mais gostam. Uns são bailarinos/dentistas, outros enfermeiros/fotógrafos, ou jornalistas/desenhistas. O importante é que, acima de tudo, precisamos nos aceitar como somos, o resto é resto.



Por Eloy Vieira

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Eu, Esconderijo

Foto: Reprodução
Mais uma noite chega e escondo meu rosto nas cobertas. Escondo porque gosto de esconder, o esconderijo me conforta. Já escondi muita coisa, não por medo, mas pela sede de paz. Escondi meus anseios por ter medo de ninguém me compreender. Guardei  as minhas verdades para evitar discussões desnecessárias.

Esconder não é covardia. É resguardar, não colocar em vitrines, pois estas são feitas para admirar, falar sobre, opinar, e depois, passa. Tudo que é exposto, cai no esquecimento, como se nunca houvesse importância. Se for guardado, eu me lembrarei, a pessoa que mais importa fazer feliz.

Escondo sem temer que um dia isso me faça mal. Não escondo tudo, nem metade do que escondo. Não revelo o quanto, mas escondo. E se esconder for minha sentença de morte, aceito-a de bom grado. Pois nem tudo o que em mim pode caber necessita ser revelado.


Por Eloy Vieira